sábado, 7 de maio de 2011

Daqui a algum tempo

Sete horas da manhã do dia vinte e dois de setembro de dois mil e cinquenta e dois.


Ela estava lendo na varanda de sua casa, quando interrompeu a leitura para pensar no que tinha feito de sua vida.
Casara-se com um homem apaixonante, e agora o que era sua vida?

Quando eles namoravam ela ligava todo dia, bem cedo, para acordá-lo e ele sempre com bom humor levantava e logo retornava a ligar só para dizer que a amava.
Quando eles namoravam ele sempre puxava a cadeira pra ela sentar e nunca deixou de ouvi-la em suas repetidas reclamações.
Quando eles namoravam ela se preocupava com todas angústias e aflições dele, querendo auxilia-lo a resolver tudo.
Quando eles namoravam ele ligava só para dizer que sentia saudades dela e ficava torcendo para que ela pedisse para ele largar tudo e ir ao seu encontro.

E depois de alguns anos, ela percebeu que ele era sempre novidade. Continuava apaixonante, mas toda vez que se olhavam parecia sempre a primeira vez.
Cada abraço, cada beijo, cada sorriso e cada gesto eram únicos, mesmo que se repetissem várias vezes ao dia.



'Ele me faz tão bem,
que eu também quero fazer isso por ele.
Ela me faz tão bem,
que eu também quero fazer isso por ela.'